20° Ato - O Legado de Sangue

Com o fim da batalha se desenhando, e muitos guardas de Premolen mortos ou fugindo, Beren desceu da árvore onde estava (assim o fazendo também Aridel).

"Sou Beren Amakki e quem é você?! Diga-me!" Beren voltava-se para o elfo que, de um árvore próxima, comandava o ataque sobre os guardas de Premolen.

"Oh! Então você é Beren? Pois bem, meu nome é Lorandil!"

"Lorandíl?!" Beren exclamou, lembrando-se que esse era o nome do elfo enamorado de Aryvel, pai do bebê que tanto procuram resgatar!

Uma breve conversa foi travada entre os dois, a fim de esclarecer este fato. Lorandil demonstrou já ter ouvido sobre a existência de Beren e cia. da boca de Elassil. Assim, considerando os feitos realizados pelos personagens a fim de salvar seu filho, Lorandíl consentiu em levar o grupo para o "local" onde ele e seus pares se reúnem.

Deste modo, com a ajuda de outros elfos, Beren e Lorandíl caminharam por algumas horas pelas margens do rio Brolador, carregando os corpos dos personagens feridos - e de Glorath, é claro. Ali o elfos recolheram pequenas embarcações, as quais seriam usadas para cruzar o rio, que estavam escondidas sobre folhagens ou dependuradas por cordas sobre as copas de algumas árvores próximas. Deste modo todos cruzaram o majestoso Brolador até um ilha fluvial, onde uma não menos incrível vila élfica jaz escondida na mata.

Neste local, que mais tarde foi identificado por Nebedeth (que na língua dos Mercadores significa "Trilha Molhada") os personagens receberam tratamento e cuidados a fim de que pudessem se recuperar mais rapidamente. Conforme os personagens iam se recuperando o grupo foi se recompondo e eles foram apresentados a Istaril, o regente da vila.

Foi a partir de então que uma longa conversa tomou lugar entre os personagens, Lorandil e Istaril.

Em um primeiro momento, Beren e Harric (principalmente o segundo) trataram de explicar a Lorandil as circunstâncias em que o bebê foi encontrado e como Aryvel foi morta. Logo, o que se concluiu de tal intróito, é que Glorath e as Cortes da Iniqüidade pouco tem a ver com o sumiço do bebê. Conforme os eventos narrados por Harric, o bebê sequer foi levado a julgamento pelas Cortes, mas sim foi tirado do interior da cidade por ele próprio (Harric), por Rhalevahn e Ithan. Quando na fuga da cidade é que o bebê fora levado à força pelo agente de Durzgol (o metamorfo). É certo que se o bebê fosse entregue às Cortes, como queria a família de Aryvel, ele seria sacrificado, contudo, esta é uma situação meramente hipotética, a qual não corresponde à realidade dos fatos e o FATO é que as Cortes da Iniqüidade nada tem a ver com o desaparecimento do bebê.

Lorandíl, já muito impaciente, arrastou Glorath desde seu cativeiro até a sala onde se encontravam todos - ele estava vendado e com as mãos amarradas. Uma bateria de perguntas foi feita a ele com o intuito de se descobrir mais à respeito de Durzgol.

“Vocês não ousem tocar em mim! Não sabem com quem estão mexendo! Sou um Ministro de Sua Majestade Real! Ao arrancardes um só fio de meu cabelo ofendem ao próprio Rei e sua fúria divina recairá sobre suas cabeças e sobre as cabeças de milhares de inocentes em Premolen! Ahahahahahaha!” Glorath ameaçava o grupo.

"Suas amaeaças de nada adiantarão, Glorath!" Gritou Harric, sacando uma adaga e levando-a às partes púberes do sacerdote.

"Sugiro que pare com isso!" Disse Istaril. "Não vou permitir que este solo sagrado seja manchado com o sangue deste homem nefasto, tampouco em se tratando de um ato de barbárie, de todas as formas condenável!"

Guardando a sua adaga, Harric se desculpa com Istaril e permite que Rhalevahn se aproxime de Glorath.

"Vamos, nos conte o que sabe de Durzgol!" Disse o Svimohz.

"Sobre esta figura secretiva pouco sei. Não sou de serventia para vocês, entendam! Nas Cortes da Iniqüidade sou nada mais do que um mero sacerdote, um Representante do Olho Invejoso, contudo, fora daqueles salões sou mais do que isso. Sou um MINISTRO! Minha proximidade com Sua Graça o Conde Transen faz de mim um homem poderoso. O Rei em pessoa me nomeou para o exercício deste cargo! Devo zelar para que o Conde cumpra as ordens exaradas por Sua Majestade, pois ela teme a desobediência de alguns de seus vassalos. Minha morte ou desaparecimento liberará a fúria de Brenbol sobre a nobreza de Premolen, pois o Rei suspeitará dela! Acham que Transen permitirá isso? Acham que ele aceitará pagar por um crime que não cometeu? JAMAIS! Antes, ele próprio mandará caçar os ‘malfeitores’ os trará à Justiça! Ahahahahaha!!! Para isso a quem ele recorrerá? Ahahahaha!!! Traremos muitos inocentes ao fio da espada para a satisfação do Conde! Ahahaha!!!”

Alguns personagens pareciam preocupados com as ameaças de Glorath, outros nem tanto.

“No entanto, toda esta desgraça pode ser evitada por vocês e suas tolices podem não repercutir além deste ponto. Digam-me, o que desejam com maior vontade agora? Talvez eu possa ajudar-lhes se em troca me libertarem. O meu retorno à Premolen certamente evitará maiores problemas para os ‘inocentes’. Se vocês entenderam bem a gravidade dos problemas que minha morte causará e se fordes pessoas responsáveis, estou certo que já sabem o que fazer!”

"Certo, eu lhe dou minha palavra de que você poderá sair daqui ainda íntegro, e poderá retornar à Premolen. Contudo precisará nos ajudar primeiro!" Disse Rhalevahn, contando com a aprovação da maioria.

"Como posso confiar no que diz?"

"Lembre-se apenas que sou um seguidor do Arauto da Palavra!" Completou Rhalevahn.

"O que sei sobre Durzgol é muito pouco. Ele surgiu em Premolen há cerca de 10 anos, nunca soube ao certo sobre sua terra de origem. O que sei é que ele é um Eldoran, apenas. Estranhou-me sempre a velocidade com que alcançou o status de nobreza, além, é claro de seu passado obscuro. Em verdade, Gadvarg, um dos grande Magistrados do Olho, empreendeu uma certa investigação sobre Durzgol!"

"Por inveja tenho certeza!" Interrompeu Rhalevahn. "Ele devia estar invejoso quanto à posição que Durzgol ocupava!"

"Ahaha... talvez, talvez! Mas acredito que sua preocupação fosse maior quanto ao poder que Durzgol poderia estar exercendo sobre as decisões do Conde. Aliás, neste particular sempre preocupei-me também. Como vos disse, sou um ministro de Sua Majestade. Minha função primordial era assegurar a fidelidade de Transen aos comandos e vontades do Rei. Se alguém exercesse mais influência sobre Transen do que eu é lógico que minha missão seria um fracasso total!

Porém, Gadvarg logo desapareu, curiosamente quando começava a desenhar as suas primeiras impressões sobre Durzgol. Decepcionante, não?!"

"Durzgol o teria matado?" Perguntou Rhalevahn.

"É provável, mas não poderiamos acusar um membro da nobreza sem provas, mesmo para nós isso seria demasiado leviano!

A única coisa que sei sobre Durzgol, a única coisa que consegui descobrir sobre este homem, é que ele parece pertencer à uma ordem, uma irmandade, conhecida como os Cavaleiros do Abismo Sombrio. Mas o que ele possivelmente deseja conseguir com este bebê, eu confesso que não sei."

Assim foi, em resumo, o diálogo. Após, compelido pelas circunstâncias, Lorandil libertou Glorath, logicamente tendo sido ele levado vendado até um ponto na mata donde não pudesse localizar a vila de Nebedeth.

A partir de então os perosnagens passaram a discutir assuntos pertinentes aos próximos passos a serem dados nesta busca.

Lorandil, a propósito, lembrou-se um um fator determinante:

"Senhores, como adiante mais cedo, minha relação com Aryvel era bastante confusa e conturbada, muito em virtude das limitações que sofriámos pelas diversas diferenças cultaris existentes entre nossos povos. Não obstante nosso amor tenha sido grande para sobreviver a tudo isso, mesmo tal força poderosa não poderia diminuir a longa distância que nos separava. Também, o fato de ser um notório procurado em Premolen, grças aos diversos serviços de espionagem que realizei em prol do meu povo,contribuiu para que meu contato com Aryvel fosse reduzido. Por todas estas razões, muitas e muitas vezes apenas falava com minha amada por meio de cartas, e também por estes motivos jamais tomei conhecimento de que ela estivesse grávida - o que só vim a saber pela boca de Elassil.

Bom, numa destas últimas cartas, ela mencionou algo sobre ter aderido à Ordem da Luz..."

"Ahh!!! É isso então!" Disse Rhalevahn! "Senhores, acho que já temos pelo menos uma pista!"

Todos se entreolharam curiosos.

"Segundo que sei, a Ordem da Luz é ferrenha opositora da ordem dos Cavaleiros do Abismo Sombrio. Enquanto este primeiro secto busca iluminar o mundo com as palavras de bondade de seu patrono, o segundo busca ardorosamente imergir em trevas a tudo e a todos!

Se Durzgol é mesmo parte desta ordem sombria, já consigo enxergar um motivo pelo qual ele posse ter se interessado no filho de Aryvel..."

"De qualquer forma, como faremos para localizar Durzgol?" Perguntou Astaror.

"Acho que tenho uma idéia! Que tal se ao invés de procurarmos Durzgol, ou os Cavaleiros do Abismo Sombrio, não procuramos pela tal Ordem da Luz?" Disse Ithan.

"Uhmm... parece uma ótima idéia, Ithan" Respondeu Harric. "Esses cavaleiros sombrios, seja lá o que forem, com certeza não podem ser encontrados com facilidade. Mas estou certo de que seus maiores opositores devem saber onde podemos encontrá-los!"

"Porém, como vamos voltar para Premolen? Não podemos nem sequer nos aproximar daquela cidade!" Ithan colocou.

"Não vamos." Lorandil disse. "Não tenho absoluta certeza agora, mas Aryvel fala em cartas antigas sobre um velho conhecido seu, um senhor chamado Namac, que ao que pude perceber era membro desta Ordem da Luz. É muito provável que ela tenha se inspirado neste senhor para poder seguir os caminhos desta Ordem. Pelo que ela contou, ele vivia em Randolen, uma cidade ao sul de Premolen"

"Então para lá iremos! É nossa única pista!"

Assim, o grupo decidiu partir para aquela cidade, com o fito de localizar Namac e tentar descobrir mais sobre Durzgol.

A viagem seguiu tranqüila, com os personagens guiados por Lorandil através do interior do bosque, até as margens de um lago, onde uma visão incrível acometeu todo o grupo:



Do alto de um platô próximo ao lago às margens do qual estavam acampando, os personagens viram um belíssimo unicórnio. Ele parecia atraído por uma canção que vinha entoada pelo vento nordeste que soprava naquele momento. Todos conseguiam ouvir as palavras trazidas pelo vento, mas somente Beren conseguiu decifrá-las, pois eram ditas em linguagem Silvestre:

"Oh mãe, mãe do salgueiro verde,
Eu chamo por seu nome!

Tão tristes seus olhos,
Tão sorridentes os olhos escuros!

Oh mãe, mãe do salgueiro verde,
Eu, eu chamo por seu nome!"

Alguns personagens se aproximaram do platô para melhor enxergar, mas perceberam que o unicórpio se afastava. Ao chegar ao alto do platô os personagens viram que uma enorme parte do bosque havia apenas recentemente sido completamente destruída. As árvores que não foram derrubadas foram queimada. O local parecia um grande deserto e os personagens viam que a devastação era ainda maior quando se olhava mais ao sul (o que era possível daquela altura).

O unicórnio caminhava entre as árvores carbonizadas, até que se deteu próximo a uma, que ainda estava de pé, a começou a esfregar seu corpo nela. Incrivelmente, um braço (com aspecto humano) projetou-se da árvore, e ela acariciou a criatura! Aquela cena paralisou os perosnagens.

Aredel e Beren estavam de tal forma emocionados que lágrimas vertiam de seus olhos. Percebia-se claramente o ar carregado de tristeza e o cântico entoado parecia ser um grito lamurioso da natureza. Lorandíl estava estático, comovido com a cena, e ainda perplexo, sentimento partilhado por Rhalevahn.

A árvora finalmente caiu ao chão, morta e o unicórnio vocalizou de forma extremamente profunda toda sua dor com aquela perda, após o que rumou para a relva, desaparecendo perenemente.

Somente no dia seguinte o grupo passou por aquele local. Beren e Rhalevahn viram bem que no tronco da árvore a que o unicóprio estava acariciando havia o contorno do corpo de uma bela mulher, parcialmente carbonizada.

"Era um dríade, uma dríade meus caros!" Disse Lorandil. "Estas fabulosas criaturas nascem dos carvalhos mais antigos dos bosques de Tellene. Brolador já não mais os possui em tamanha vastidão, e as dríades estão desaparecendo lentamente."

Os personagens ficaram consternados.

"Tudo por causa da ação dos homens, percebem agora? A agonia de meu povo? Esta devastação em breve chegará em Nebedeth e em poucos anos consumirá o que resta de Brolador!"

A viagem seguiu silenciosa. O grupo passou ainda por um pequeno vilarejo até encontrar a estrada pavimentada que os levou a Randolen. Diante dos portões da cidade uma breve conversa com alguns guardas, o pagamento de um pedágio, e o esclarecimento sobre algumas regras de convivência na cidade foram o bastante para uqe o grupo adentrasse a vila.

Começa agora a busca por Namac. Pode estar próximo o desfecho desta história!

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