15° Ato - O Legado de Sangue

Os personagens finalmente deixaram aquelas catacumbas imundas. Contudo, o ambiente nos bosques estavam profundamente alterado, pois brumas espessas cobriam aquele local.

"Este não pode ser um sinal de boa sorte", disse Beren, constando que por causa da neblina não era possível ver mais do que uns parcos 15 metros adiante.


"Tem alguém vindo!" Falou Rhalevahn, ao notar um homem caminhando na direção do grupo.

Todos ficaram tensos, preparando-se para sacar as armas.

Quando o homem finalmente chegou a uma distância em que se poderia ver seu rosto, constatou-se, com horror, que sua face estava decrépita e seu corpo mutilado.

"Pelos deuses! O que é isto?!" Astaror demonstrava preocupação.

Aquilo não parecia humano, pelo menos não mais. Seu andar desajeitado, odor putrefato e sua aparência nçao deixavam qualquer margem para erros, o que quer que fosse quela criatura, ela deveria ser evitada.

"Vamos sair daqui agora!!!" Disse Beren.

O grupo conseguiu correr, mas não por muito tempo, pois mais daquelas nefastas criaturas surgiram em meio à névoa.

"São muitos deles! Não temos escolha, precisamos lutar!" Gritou Harric.

Com apenas um ou dois golpes, no máximo, as criaturas caiam irremediavelmente ao solo, assim, apesar do ambiente assutador, não foi difícil vence-las.

Logo, o grupo conseguiu chegar até as margens do riacho de retornar, seguindo-o, até Dreyden. O grande problema nesta viagem não foi qualquer ataque de animais silvestres ou de qualquer outra sorte de criatura, mas sim o clima, pois o frio estava muito forte. Ninguém havia se apercebido, mas desde que Ithan adoeceu já se passaram quase dois meses, e o outono ficou para trás, trazendo consigo agora os dias frios do inverno.

Apesar do frio intenso e da pouca proteção contra o mesmo, o grupo conseguiu seguir viagem. Em Lniden, contudo, Beren demonstrou estar sofrendo os efeitos de uma hipotermia, ainda em estágio leve. Os personagens decidiram se separar, com Harric e Astaror seguindo até os bosques sagrados para encontrar Apalgas e Rhalevahn e Beren indo em seguida, com uns dias de atraso, vez que seria necessário parar para descansar com mais freqüencia graças à fraqueza que Beren estava demonstrando.

Assim foi feito, e com alguns dias Harric e Astaror entragaram a planta para Apalgas. Tudo foi feito conforme o combinado e Apalgas entregou aos dois um frasco onde, segundo ele, estava contido um poderoso elixir.

"Como que isso funciona? É só dar pra ele beber?" Perguntou Harric.

"Não, não! Vós deveis dar de beber apenas um gole ao seu amigo, e com o restante deveis preparar um banho, com o qual hão de banhá-lo até que a peste lhe saia de seu corpo!" Replicou Apalgas.

"Ahm... entendi, então está bem. Nós já vamos indo."

"Transmitai meus agradecimentos aos vostros amigos, pois recuperardes minha preciosa planta, e eu serde mui grato por isto!"

A Mandrágora e sua raiz

"Sim, sim..." Harric se despediu de forma ríspida, como tem sido seu costume - contrariando a cultura Brandobiana.

Enquanto isso, em Unvolen, Beren e Rhalevahn se recuperavam do frio em uma agitada e animada estalagem. Rhalevahn, na verdade, não usufruiu tanto do 'calor' do local, pois o tempo inteiro esteve determinado a ficar próximo da janela observando o movimento nas ruas, à procura de algo suspeito (especialmente daquela águia estranha!).

Beren, no entanto, se divertia, e acabou exagerando, ao ponto de ficar bêbado. No meio da festa, puxada por um grupo de menestréis, uma dançarina lindíssima e Beren trocaram olhares e um leve flerte, muito embora nada demais tenha ocorrido entre os dois... ou pelo menos assim parecia que a noite iria acabar, pois lá pelas tantas, quando Beren já estava grogue, deitado sobre sua cama com o rosto afundado no travesseiro, alguém começou a socar sua porta com violência, gritando.

"Ahnm... q-quem é?" Beren levantou-se tonto e caminhou até a porta, abrindo uma fresta. Viu a dançarina que há pouco estava a encantar-lhe no salão. Ela estava chorando, desesperada!

"Por favor senhor! Deixa-me entrar, pois aquele troglodita vai me matar!"

"Ahm, ah, claro... claro..." Beren permitiu que a porta se abrisse um pouco mais, ao que a moça se adiantou e entrou afobada pelo quarto, atirando-se debaixo da cama. Beren tornou a fechar a porta, mas logo em seguida ouviu novas 'porradas' nela.

"Abra esta porta! Sei que aquela vadia está por aqui!!!" Um homem bradava à toda voz.

Beren abriu a porta e viu um homem segurando as calças, bêbado tal como ele próprio, e claramente transtornado. "Ela não está aqui, é o que posso te dizer meu caro!"

O homem deve ter se convencido pela aparência de Beren, afinal, alguém naquele estado não conseguiria mentir!

Trancando novamente a porta, Beren voltou-se para dentro do quarto, onde encontrou a bela mulher já se preparando para dormir, retirando algumas peças de seu vestido.

"Agradeço muito pelo que o senhor fez. Espero não lhe incomodar muito se dormir por aqui hoje, pois tenho medo de se encontrada!"

"Ah.. não, não se preocupe. Durma em minha cama, ficarei no chão..."

Assim se fez, mas quando Beren acordou, não encontrou nem a mulher nem seus pertences mais valiosos! FORA ROUBADO.

Como seria preciso aguardar dois dias pelo retorno de Harric e Astaror, Rhalevahn e Beren precisaram buscar ajuda com os membros dos Conventos da Grande Árvore, vez que todo seu dinheiro havia sido roubado.

Apenas no dia seguinte ao do retorno de Harric e Cia. é que o grupo partiu, empregando marcha forçada para (i) tentar chegar a Brolador o mais depressa o possível e (ii) se possível alcançar o grupo que roubou Beren, pois, àquela altura, já se sabia que se tratava de um grupo de menestréis salafrários vindos de Cosdol e que, certamente, estavam viajando de cidade em cidade praticando roubos e assaltos.

Com sorte, os personagens conseguiram encontrar o tal grupo de menestréis na saída da vila de Trivrven. Pelas leis locais, os 'bandidos' deveriam ser enviados para Unvolen, quando poderia sofrer penas de mutilação ou, na melhor das hipóteses, servir como escravos até o pagamento de uma indenização ao ofendido (neste caso Beren). Contudo, de acordo com o condestável, seria demais permitir que Beren escravizasse todos os menestréis, facultando-lhe escolher apenas um.

Diante daquela situação, e percebendo pela forma como eram tratados, que a dançarina seria, no mínimo violentada e espancada diversas vezes por aqueles homens, Beren decidiu levá-la como escrava.

Deste modo, após deliberarem, os personagens partiram rumo a Premolen.

Comentários