3º Ato - O Legado de Sangue

Os personagens caminham algum tempo pela estrada pavimenta, em direção à Premolen. Beren viu o grupo que atacou os personagens rumando naquela direção, mas provavelmente tal grupo não deve ter entrado na cidade, pois, como todos bem se lembram, seu líder aparente é um elfo. Sendo assim, Ithan e Harric decidiram acompanhar os demais na viagem andando pelas margens da estrada à procura de rastros.

Pouco mais de quatro horas depois, Harric encontrou vestígios que demonstravam que o grupo de bandidos teria deixado a estrada e rumado por uma pastagem, atravessando uma pequena fazenda e adentrando pelo interior da floresta de Brolador.

Por volta da hora do almoço, já no interior da mata, o grupo decidiu parar para descansar, acendendo uma fogueira para esquentar água, cozinhar alguns legumes e outros alimentos coletados por Ithan, e comer algumas rações. Neste momento todos ouviram o característico som de um arco de madeira tensionando. Imediatamente todos se puseram de pé, procurando um possível adversário. Quando Rhalevahn olha para cima avista uma silhueta “semi-humana” sobre o galho de uma árvore bastante alta, apontando um arco e flecha para o grupo. Além desta figura, outras três a acompanhavam, postadas em outras árvores, igualmente ameaçadoras.

Um breve diálogo se sucedeu entre os dois grupos. Harric, principalmente, interveio afirmando que seus companheiros e ele estavam na floresta perseguindo um grupo que havia seqüestrado uma criança “meio-elfica”. Após alguma argumentação, os adversários se demoveram e um deles desceu da árvore. Tratava-se de um elfo, que informou ter avistado , dias atrás, um único elfo, montado à cavalo e trajando mantos azuis, cruzar a floresta. A descrição, embora não muito precisa, batia com a descrição oferecida por Beren.e, por isso, pensaram se tratar da mesma pessoa. Talvez, pensaram, os homens que o acompanhavam tenham ido para Premolen, evitando, assim, ter que entrar na floresta.

Pouco antes do final da conversa, todos ouviram o som assustador da vocalização de alguma fera, vindo de dentro da mata, mas de direção incerta. Em seguida há o som característico de uma árvore despencando. O elfo, então, pediu que os personagens tomassem cuidado, pois Uzgash estava chegando.

“Quem é Uzgash?” Perguntou Beren.

“O legítimo senhor destas terras!” Respondeu o elfo, ao passo que subia com grande destreza na árvore, desaparecendo, junto com seus aliados, logo em seguida.

O grupo não teve muito tempo para pensar, pois logo uma besta mágica terrível, de proporções gigantesca, emergiu das sombras, deslocando-se muito rapidamente na direção dos personagens.

Não obstante o medo tenha tomado conta de todos, pois ninguém jamais havia visto semelhante criatura, houve tempo para que os personagens perceberem que o rugido daquela besta era sobremaneira diferente do rugido de Uzgash. De qualquer forma o grupo precisava fugir e, deixandoos equipamentos para trás, todos começaram a correr desenfreadamente, além despistarem a criatura.

Cansado de tanta correria, Rhalevahn encostou-se no tronco de uma árvore. Logo os olhos de todos se arregalaram de espanto.

“O que estão olhando?” Perguntou Rhalevahn.

“A-acho que isso é uma árvore recentemente derrubada!” Diz Ithan.

Um objeto vem voando em sua direção! Ithan com muito reflexo consegue evitar que lhe atingisse em cheio, matando-o, mas o machado que fora arremessado tão subitamente acabou lhe atingindo de raspão! Ithan cai no chão desacordado!

“Ah! O que é aquilo?!” Exclama Beren.

“Este sim deve ser Uzgash! Melhor correr!” Grita Harric, ao passo que pega o corpo de Ithan do chão e inicia uma marcha pela vida.

Beren segue na retaguarda enquanto Rhalevahn vai à frente. A criatura em questão, uma mistura sinistra entre um touro e um ser humano, conhecido como Minotauro em algumas lendas antigas, disparou atrás do grupo.

Em poucos segundos de corrida o minotauro alcançou o grupo, que já se aproximava de uma garganta por onde corre um rio. Harric e Beren partiram para o confronto com a criatura. Rhalevahn a esta altura já esta desacordado em razão de um golpe recebido pelo minotauro.
Beren empregou truques mágicos impressionantes e conseguiu amedrontar a criatura, que desistiu do ataque ao grupo.

Harric então desceu pelo leito do rio até uma gruta, onde encontrou uma passagem que descobriu dar acesso ao esconderijo de uma guilda de elfos da região. Seu líder, Elassil, abriga os personagens, providenciando para que se recuperassem de suas feridas e etc. Após cinco dias de repouso, o grupo vai ao encontro de Elassil:

“Bom dia senhores! Espero que tenham aproveitado sua estadia em nosso abrigo. Tenho um pequeno favor a pedir-lhes.”

Os personagens acenam positivamente. A figura de Elassil é imponente, como a de um verdadeiro elfo.

“Não poderia aceitar um não como resposta. Afinal, apesar de terem entrado inadvertidamente na floresta, ainda graciosamente lhes ofereci os préstimos de minha organização. O mínimo que podem fazer é retribuir fazendo-nos um favor.”

“De que se trata?” Pergunta Beren.

“Antes, me digam o que faziam perambulando nestas matas.”

“Estamos à procura de um elfo, que seqüestrou um bebê nas imediações de Premolen.” Harric responde asperamente.

O grupo explica para Elassil parte relevante sobre a forma como se envolveram com o referido bebê e sobre o seu seqüestro.

“Entendo... Pelo que me contaram acho que temos um problema em comum. Penso que temos um espião em nossa guilda, alguém que, apesar de compartilhar o mesmo sangue do meu e de meus fiéis companheiros, ousa desafiar-nos. Suspeito que este traidor está levando informações relevantes de nossos movimentos e estratégias para os governadores de Premolen, que podem estar, à esta altura, planejando tomar definitivamente a Floresta de Brolador do povo élfico. Penso que podemos estar atrás da mesma pessoa. Deve parecer obvio neste momento o que desejo dos senhores. Requeiro, pois, vossa ajuda para identificar o traidor.”
“De que forma podemos ajudar?”
Pergunta Ithan.

Todos olham atentamente para Elassil, aguardando uma resposta.

“Como alguns dentre vocês bem devem saber, muitas coisas em Eldor são feitas por tradição. Uma destas é o arquivamento de toda sorte de documentação, inclusive aquela considerada obscura ou secreta. Ou seja, por tradição, os lordes eldorans mantém em suas vilas e cidades verdadeiros acervos documentais de tudo aquilo que ocorre em suas terras. Mesmo aqueles acordos ou eventos que originariamente não fossem escritos, acabavam por ser levados a termo por escrivães, após o que eram arquivados. Deste modo, tenho razões o bastante para crer que há em Premolen um acervo tal qual este que vos descrevi, de modo que por certo as cartas e demais documentos produzidos pelo espião devem estar ali também guardados. Se conseguíssemos obter alguns, ou pelo menos um, destes documentos, talvez possamos identificar o informante de Premolen."

“E onde ficaria tal sorte de acervo? A vila de Premolen é bastante grande...” Pergunta Beren.

“Devido à forte ligação existente entre os Gananciosos e Sua Graça, estou certo de que este cartório se localiza no interior das Cortes da Iniqüidade.”

Os personagens se entreolham um pouco assustados.

Seguem algumas perguntas, mas Elassil estava relutante em respondê-las, porquanto acabaria por revelar demais sem que sequer tivesse ainda uma postura dos personagens sobe o assunto: aceitariam ou não a missão?

Rhalevahn foi o primeiro a acenar com o aceite:

“Meu lorde, podes contar comigo, pois vejo que a causa é nobre. Ademais, onde houver um corruptor da Palavra, ali me farei presente! É chegada a hora de impor um revés aos Gananciosos e sua Corte de mentiras e intrigas. Dou-te minha palavra de que farei o que estiver ao meu alcance para trazer rápida solução aos problemas que afligem o teu nobre povo.”

“A mim muito agradam suas palavras, meu jovem. Vejo, pois, que embora humano, não conservas raízes brandobianas. Certamente teu povo deve ser muito honrado e nobre de coração.” Elassil parece satisfeito com a postura de Rhalevahn, contudo, continua recusando informações adicionais, a menos que os demais aceitem a tarefa ou deixem o local em definitivo.
Dentro de pouco tempo, e algumas discussões depois, todos acabam concordando em ajudar Elassil. Este, por sua vez dá-lhes explicações mais detalhadas sobre a natureza da missão, especialmente sobre como conseguir localizar, dentre centenas de documentos, quais aqueles que possivelmente teriam sido escritos por um elfo e etc. Ao fim, o grupo se preparou para partir, o que viria a acontecer no dia seguinte.

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