2° Ato - O Legado de Sangue

Ithan admirava a visão dos muros da cidade no horizonte. Daquela praça se podia ver quase tudo. Por detrás do prédio do fórum erguia à distância um soberano castelo, próximo do qual podia-se ver algo notável: uma gigantesca árvore de carvalho, solitária, bem no centro da cidade de Premolen. Os sacerdotes ainda caminhavam em direção ao prédio do fórum quando Ithan convenceu Ralevahn a conhecer aquela árvore tão distinta.

Harric estava se aventurando nos becos estreitos da periferia da cidade, tendo de lidar com toda a imundícia característica destes. Tentava descobrir onde morava aquela família a quem ajudou, salvando um bebê récem-nascido. Antes que pudesse chegar ao seu objetivo, Harric também ouviu o som do badalar dos sinos, tendo notado, inclusive, uma espécie de procissão: um homem vestindo um robe verde com pontos brancos, seguido por outros dois vestindo robes inteiramente verdes. Próximos deles, outros acompanhavam o "cortejo" vestindo roupas semelhantes.

Todos na rua demonstravam bastante respeito por aqueles homens, e isto ficava bastante claro pela forma como se comportavam: caminhando pelo centro das ruas, obrigando os transeuntes a abrir caminho obsequiosamente.

Harric decidiu segui-los para ver aonde iam. Deparou-se, por fim, com uma praça, onde havia um suntoso prédio, tal qual um fórum, que ostentava o símbolo da "caveira de uma cabra com uma balança desequilibrada". Neste momento Ithan e Ralevahn seguiam por aquela mesma rua, e notaram Harric, parando para conversar com ele.

"E então, como estão as coisas?" Perguntou Ithan.

"Não sei, quem são estes homens, já os vistes antes?" Respondeu Harric.

"Não, de modo algum. Mas acho que Ralevahn os conhece."

"De fato, o símbolo que carregam consigo não me é estranho, mas não consigo me lembrar porquê!" Replicou o Svimozish.

"O símbolo eu reconheço." Continua Harric. " Trata-se da marca de Enard, Senhora da Iniqüidade, o Olho Invejoso..."

"Ahh, sim! Em minha terra conhecemos a ela como Namona, mas que situação mais terrível! Será que são sacerdotes de Namona? Como andam tão à vontade pelas ruas?"

"Ouvi um servo dizendo que hoje haveria um julgamento, acredito que Os Gananciosos presidam-no."

"Quem?" Interrompe Ithan.

"Os Gananciosos! É como são chamados os membros das Cortes da Iniqüidade, a igreja de Enard." Respondeu Harric, desta vez olhando em direção à praça.

Os homens se dirigiam para o fórum, certamente o julgamento começaria em breve e Harric decide se apressar.

"Meus caros, preciso ir! Suspeito que uma mulher inocente vai ser julgada nas Cortes da Iniqüidade e não podemos de forma alguma esperar justiça! Preciso fazer algo, pois receio quem seja." Harric referia-se a avó do bebê resgatado por ele.

Ralevahn decide ir juntamente com Harric, bem como Ithan. Este porém manteve-se o tempo inteiro afastado, mais atrás, para evitar de chamar atenção. Os personagens estavam de volta à praça em frente ao fórum. Harric e Ralevahn conversavam sobre Enard, pois o Svimozish estava bastante aturdido com a idéia de que as Cortes da Iniqüidade fossem tão difundidas em Eldor.

Ithan observava a tua atentamente. Chegou a notar um homem de média estatura que também observava o fírum atentamente, mas logo foi abordado por guardas. Notou também uma figura esguia sobre o telhado de uma casa adjacente à praça, observando à tudo com atenção, escondido por detrás de um gárgula que adornava o telhado.

Logo, os sacerdotes que se aglutinavam nas portas do fórum entraram, ao que as portes foram fechadas pelos guardas. Seria impossível saber o que estaria ocorrendo lá dentro agora. Ralevahn, bastante aborrecido com a existência de tal sorte de igreja naquela cidade, resolveu contornar o prédio do fórum para encontrar outra entrada ou pelo menos uma janela pela qual poderia observar ou ao menos ouvir o que se passava lá dentro. Harric o acompanhou. Quando Ithan deu-se por si já os tinha perdido de vista, bem como ao homem sobre o telhado, não lhe restou alternativa senão caimhar até a tal árvore gigante e conhecer um pouco mais sobre a cidade.

Harric e Ralevahn encontraram uma série de janelas nos fundos do prédio que podiam ser-lhes úteis. Como ficavam muito no alto, Ralevahn permitiu que Harric subisse em seus ombros para observar tudo o que se passava.

“Rendidas graças à rainha Enard, passo à leitura do relatório. A suplicante, Aryvel, é acusada formalmente de blasfêmia contra a nobreza cumulada com conduta desordeira capaz de ferir os bons costumes deste honorável condado. Pesa sobre sua cabeça a acusação proposta pelo ministro Glorath, de acordo com a qual a suplicante teria não somente se envolvido amorosamente com um semihumano bem como gerado um filho deste, tudo corroborado pelos testemunhos colhidos por esta corte.”

Assim abriu-se a sessão de julgamento por um dos magistrados.

Harric podia ver que o velho senhor que acompanhava os servos na noite passada estava sentado em uma poltrona em um mezanino. Noutro, estavam quatro homens, dois vestidos como nobres (com roupas mais elegantes) e outros com roupas mais simples (porém de boa qualidade).

“Eu passo a palavra ao ilustre promotor.” Diz o juiz.

“Meritíssimo, membros desde colegiado. As acusações que pendem sobre a suplicante, Aryvel, são da mais notória gravidade. Não obstante sua vida obscena envergonhe a todos nós, que dividimos nossas ruas e praças com este tipo desprezível de pessoa, a suplicante mantinha constantes relações com um conhecido inimigo desta vila, um elfo de Brolador chamado Lorandíl. Ora, esta conduta demonstra que a suplicante não estava satisfeita em portar-se de forma pouco honrosa, agindo como um homem grotesco ao invés de um dama polida e recatada – como era de se esperar. Não! A suplicante ousou difamar todo o povo de Premolen, ao utilizar-se de toda sorte de subterfúgios para trazer seu consorte imundo para dentro dos muros desta humilde vila, zombando da autoridade divina de Sua Graça (aponta para o homem bem vestido) e dos bons costumes de nosso povo. Prova inequívoca disto era a sua gravidez. Pior, senhores, a suplicante sequer manifestou sua defesa, tendo preferido fugir de seu julgamento a se defender com mais mentiras! Mas ninguém escapa da fúria dos deuses, e, que se tenha notícia, a acusada jaz agora morta, e seu corpo, antes sinônimo da vilania perversa agora serve como exemplo daquilo que não deve ser seguido aos olhos de todos! Isto posto, excelência, deve-se considerar a ré culpada de todas as acusações, eis que silenciou diante de sua culpa e sua tentativa de fuga revela a culpa que pesava naquilo que restava de retidão em seu caráter!”

Assim o promotor encerra seu discurso.

O juiz toma a palavra.

“Diante dos fatos narrados e da impossibilidade de apresentação de defesa, condeno a suplicante. Deixo, porém de conhecer da pena, eis que o opróbrio já a puniu com a própria morte.”

Outro magistrado se levanta e diz:

“Questão superveniente se interpõem, excelência. A requerimento do ministro Glorath emerge nova questão a ser submetida ao vosso crivo.”

“E qual seria tal questão? Passo a palavra ao ilustre promotor.”

“Excelência, ocorre que, a despeito da morte da suplicante, seu filho nasceu com vida. Em outros termos, a criança nasceu de um ventre morto, o que, certamente, é sinal de mau presságio. É assente nesta corte a necessidade de proteger Premolen e, sobremaneira, todo o reino deste tipo de ameaça. Uma criança nascida nestas circunstâncias não é outra coisa senão filha do pecado de sua progenitora, é filha da própria morte e enquanto viver atrairá para nossa vila a atenção profana de Blonlen. Ademais, nossa tradição ensina claramente que a progênie carrega os vícios e as máculas dos progenitores, de modo que esta criança certamente herdou o caráter tortuoso de sua mãe, sem mencionar o fato de se constituir em um meio-elfo, filho de um notório foragido desta justiça. Permitir que esta criança viva entre nosso povo significará manter entre nós o filho da própria blasfêmia e desonra. Seria, em verdade, uma afronta viva contra Sua Graça e, ouso dizer, até mesmo contra Sua Majestade. Cumpre a este juízo determinar o menor dos males, sacrificar os bons costumes e a tradição milenar de nosso povo ou livrar-se de tão ingrato legado do pecado?”

“Considero pertinente o pedido do ilustre inquisidor para a apreciação do caso. Deixo, contudo, de apreciar o pedido neste momento. Fica decidido que amanhã, por volta da 10ª Hora do dia, prolatarei sentença nesta mesma corte. Assim, encerro a sessão.”

Harric ficou estarrecido. O som daquelas palavras reverberava em seus ouvidos e, enquanto relatava à Ralevahn o que tinha escutado pensava no fim terrível que seria dado àquele bebê que havia sido salvo e entregue inocentemente nas mãos de seu próprio algoz. Sim... o grupo que Harric encontrou na estrada contava com um velho senhor, vestido em mantos verdes: Glorath!

Imediatamente, Harric decide que precisa encontrar o bebê e tirá-lo de sua família nem que seja à força. Ralevahn acaba movido pela impulsão de Harric, sugerindo, contudo, que se localize Ithan primeiramente.

Enquanto tudo isso se passava Ithan havia chegado à árvore gigantesca e lá viu que um homem engraçado se dependurava em um de seus galhos. A figura em questão trajava mantos da cor azul claro e um chapéu pontudo que se lhe caía pelas costas. Com muito esforço, dependurado apenas pelos braços, o homem conseguiu chegar até a ponta de um galho e, então, tirou um colar de seu pescoço, pendurando-o ali mesmo. Após, caiu ao chão, ferindo-se um pouco.

Achando a cena irreverente, e muito curioso, Ithan aproximou-se para ajudá-lo a se levantar e perguntou:

"O que você estava tentando fazer?"

"Ahm olá! Obrigado pela ajuda bom homem! Estava tentando fazer exatamente aquilo que consegui fazer: prender meu colar ao galho deste magnífico carvalho! A propósito, quem é você?"

"Sou Ithan, de Cosdol. Curioso esse seu hábito... rs... acaso se trata de algum ritual?"

"Ritual? Não, de forma alguma! Nem de simpatia qualquer."

"Então por que pendurar um colar na árvore?" Ithan repara neste momento que, num galho ainda mais alto, há também um anel pendurado e faz uma cara de completa perplexidade.

"Ahaha! Você realmente não é daqui né?"

"Não"

"Ah sim, pois se fosse saberia que esta árvore é mágica!"

"Mágica? Não vejo nada de demais nela. O que ela tem de especial? Como sabe que ela é mágica?"

"Você não pode sentir sua aura emanando? É uma pena, mas lhe garanto, ela é mágica. Posso sentir sua aura de bem longe."


"Está bem então, que seja. Mas isso não explica o fato de você pendurar objetos nela."

"Claro que explica! Ocorre que de acordo com a lenda, qualquer um que pendure um objeto nela e viva para ver seu galho crescer o bastante, poderá perceber que o objeto se torna mágico! Ou seja, esta magnífica árvore seria capaz de transformar qualquer coisa mundana em algo mágico! Mas ninguém nunca conseguiu comprovar esta teoria, porque ninguém jamais viveu o bastabte nesta cidade para aguardar que um dos galhos da árvore crescessem o suficiente para abraçar o objeto por completo."


"Puxa! Que interessante!"

"Sim, outro problema seria em como tirar o objeto do galho depois de tanto tempo sem machucar a árvore!"

"Corte o galho, oras!"

"Nem pensar! Dizem que dentro desta árvore vive o espírito aprisionado de uma Dríade e, se ferirmos qualquer de seus galhos, estes espírito perturbaria nossa cidade, trazendo muitos problemas e, quem sabe, até a morte!"

"Uhmmmm... Eu poderia pendeurar nela algum objeto meu?"

"Sim, claro!"

Assim, Ithan começou uma árdua escalada até, finalmente, conseguir pendurar um anel em outro galho da árvore.

Ao término, ambos se despediram. Foi quando Ralevahn e Harric chegaram, avisando do que havia ocorrido nas Cortes da Iniqüidade.

Imediatamente decidiram encontrar o bebê o mais depressa possível, a fim de impedir que fosse levado à julgamento. Para tanto empreenderam uma busca em toda periferia de Premolen até que, finalmente, encontraram a casa onde vivia Aryvel (o nome da mãe do bebê, encontrada enforcada em uma árvore por Harric).

Harric bateu na porta da casa. Uma velha senhora abriu a porta.

"Senhora, preciso falar com o homem que comanda esta casa!" Harric percebeu que se tratava da velha senhora que rejubilava com a morte de Aryvel.

"S-sim... vou chamá-lo"

O homem surge vindo dos fundos, com uma cara de poucos amigos. Harric logo nota que é o mesmo homem que hora acalentava a mulher a quem havia entregue o bebê, hora a tratava com a pior de suas servas.

"O que desejam?!" O homem olha bem nos olhos de Ralevahn, demonstrando certo desprezo.

Harric avança em sua direção, levando suas mãos ao peito do homem, empurrando para trás.

"Precisamos tirar o bebê da cidade! E vocês precisam fugir daqui, pois correm grande perigo!"

"Ninguém vai deixar esta vila! Minha filha teve o que merecia, era uma vagabunda, e o desígnio dos deuses determinará o futuro de seu bebê!" Homem demonstrava grande indignação com aquela postura afrontosa de Harric.

Imediatamente Ithan sussurou para Ralevahn:

"É melhor você sair daqui, o negócio vai ficar feio!"

"M-mas..."

"Não discuta, você sabe que se envolver numa briga destas aqui terá implicancias mais graves para você do que para nós! Melhor voltar para a estalagem!"

"A-ah... sim, é verdade..." Ralevahn, resignado, disfarçadamente vai deixando o local.

"Como é?" Harric se exalta diante do que disse o homem à sua frente. "Então vou tirar este bebê daqui à força e você não vai me impedir!"

O homem se irrira e desfere um soco em Harric, que consegue se esquivar, devolvendo-lhe a agressão em igual medida, mas desta vez com sucesso. O homem se desequilibra.

A velha senhora começa a gritar e corre na direção de Harric com a intenção de separá-lo do homem. Ithan rapidamente entra, fechando a porta da casa para abafar os sons da luta, e utiliza de uma barra de ferro (orinalmente usada para trancar a porta) para ameaçar a velha senhora. Esta, por sua vez, se irrita ainda mais e tira de seu avental uma faca de cozinha intimidadora. Ithan não pensa duas vezes e golpea a senhora no rosto, levando-a a nocaute imediatamente. Enquanto isso Harric conseguiu derrubar o homem no chão e se dirigia aos fundos da casa.

O homem se levanta mas Ithan, com um golpe perfeito, imobiliza-o. Neste momento uma moça surge na sala, vinda dos fundos. Logo ela se desespera pela cena que vê.

"Não chores! Viemos para salvar este bebê inocente!" Diz Harric.

A mulher se atira ao chão aos prantos, sem conseguir responder nada.

Harric sobe as escadas que encontrou nos fundos da casa, chegando ao segundo pavimento. Num dos cômodos existentes ali encontrou o berço do bebê, guardado por outra moça. Harric lhe explica a que vieram, e conta-lhe sobre a necessidade de fugirem também.

"Mas como isso séra possível? Meu pai foi quem nos entregou para a Corte da Iniqüidade, que fazer?!"

"Fugir. Levaremos o bebê e vocês junto conosco! O julgamento será amanhã!"

Harric onsegue convencer a mulher a recolher umas poucas roupas para fugir. A outra moça não quis abandonar o marido. Mas deu razão aos personagens, pedindo-lhes que fugissem com aquela criança para bem longe.

Ithan a esta altura já tinha feito o homem desmaiar, ao que Harric usou um longo pedaço de arame para amarrar-lhe os pés e as mãos.

Assim fugiram do local, junto com uma das mulheres. Encontraram Ralevahn ainda na rua, que estava na espreita, vigiando a movimentação e atento para a chegada de guardas da cidade.

Deste modo foram disfarçadamente para a estalagem e de lá deixaram a cidade, escondendo o bebê dentro de uma mochila pertencente à Ithan.

Pouco tempo depois, já na estrada que levava à Plidven (próxima cidade), o grupo foi atacado por quatro homens montados em cavalos, liderados por um quinto, encapuzado.

A vantagem numérica impôs aos personagens fragorosa derrota - embora tenham conseguido derrubar dois adversários. Antes de cair no chão, Harric vou que o líder do bando era um elfo, e percebeu que aquilo não se tratava de um assalto comum de estrada, mas sim de uma planejada ação que tinha por objetivo tomar o bebê... mas já era tarde. Harric desvalece, cansado e muito ferido, tal como seus companheiros.

Dois dias mais tarde Harric desperta.

"Ah, vejo que você acordou!"

A fogueira crepitava naquela noite fria. O homem lhe trouxe um pouco de um líquido quente, ruim no sabor, mas revigorante.

"Ah-ah... quem é você? Onde estão os outros? E o bebê?"

"Fique calmo meu caro. Me chamo Beren Amakir, estou aqui para ajudá-los. Seus amigos estão bem, mas o bebê e a mulher que o carregava foram levados por aquele bando."

"Droga!!! Você viu para onde foram?"

"Vi, mas não adianta tentar se levantar agora. Você ainda está muito debilitado e seus amigos sequer despertaram!"

"Me disse seu nome, mas não QUEM você é!" Harric se esforça para falar.

"Também estava interessado em salvar aquele bebê das garras dos Gananciosos. Mas quando vi que vocês estavam igualmente bem intencionados e como estava encontrando problemas na cidade, preferi observar para ver o que vocês fariam em seguida. Vi quando aquele bando se aproximou de vocês, mas não julguei prudente entrar na peleja, pois poderia também ser derrotado." Disse o homem.

"Agradeço pela sua caridade então..."

"Descanse, você está febril. Se acordar melhor poderá me ajudar a cuidar dos outros, enquanto vou à cidade buscar material para costurar os ferimentos deles."

Sete dias depois todos estavam de pé, ainda muito feridos, mas bem o suficiente para caminhar. Preferiram, contudo, naquele acampamento rústico preparado por Beren, longe da vista de quem passasse pela estrada, discutir seus rumos. O bebê havia desaparecido. Há a possibilidade de que seu sequestrador seja, na verdade, o próprio pai da criança - que poderia estar pensando que o grupo estava tentando fazer algum mal ao bebê. Mas tudo é incerto. Certamente agora terão que rastrear o bando para encontrar o pobre infante!

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