Viagem até Onnwal - Parte 11

O moinho ficava numa outra ilha menor cerca de uns 150 metros distante da Ilha Rochosa. Ben descobriu uma passagem pelo chão que abria caminho através de um túvel até um corredor subterrâneo. Em outro local no moinho, em um porão, Solfiere, Laonor e Aeris descobrem dezenas de barris repletos de sal dentro dos quais havia criaturas que se pareciam com fetos humanos. Intrigados, mas apressados pelo amanhecer que chegava rapidamente, os personagens decidiram logo explorar o corredor subterrâneo. Algum tempo depois percebeu-se que ele levava a um complexo de salas, tais quais uma fortaleza subterrânea e que, por fim poder-se-ia chegar até o templo através deste caminho. E foi isso que o grupo fez. Algumas coisas ocorreram, no entanto.

Primeiramente o grupo encontrou os prisioneiros. Eles estavam em jaulas dependuradas dentro de fossos escavados no solo, sobre uma água estagnada e fétida, nus, desnutridos e doentes. Ao todo eram cerca de 90 pessoas. A missão se complicou, no entanto, quando os personagens esbarraram com o mesmo mago de mantos negros e cabelos brancos que horas atrás os abordou nos salões do templo. O combate foi curto e o mago, desta vez, não teve chances. Com Ben e Artin flanqueando, Velian na diagonal, Aeris pela frente e Uther na retaguarda o adversário não teve chances. Tentou ainda, intimidar os personagens com um truque mágico e sua aura de medo. Chegou a cegar o Mestre da Guerra por alguns rounds, mas foi inútil. O próprio Uther, apesar de cego, esmagou seu oponente furiosamente.

Por fim, o grupo conseguiu sair do local com os prisioneiros. Já era dia quando embarcaram no "Espinha de Tubarão" novamente. Velion ainda conseguiu subtrair alguns documentos da Ilha, papéis que podem continham relatos sobre as atividades da Irmandade Escarlate.

Seguem os trechos:

“Antes da última década, poucos salvo o povo de Sunndi prestaram muita atenção aos habitantes da Península de Tilvanot. Humanos de pura linhagem Suloise, os sulistas aparentavam levar uma vida simples, arando suas terras como fazendeiros, negociando pouco senão nada com o exterior. Àqueles em Sunndi, seu isolacionismo parecia um resultado natural do Espinhaço e do Pântano Vasto que cortam a Tilvanot do resto do mundo.

Em 573 do Ano Comum, no entanto, embaixadores em robes vermelhos vindos do sul apareceram nas cortes da Liga de Ferro. Falando em sussurros, eles ofereceram seus serviços para lordes mercadores, anunciando-se como pacíficos enviados da Irmandade Escarlate, representantes do Reino de Shar, uma palavra do Antigo Suloise que significa “pureza”. A chegada dos Irmãos do Sinal Escarlate deflagrou a curiosidade, é claro, e em pouco tempo espiões foram enviados para a Tilvanot.

Poucos agentes retornaram para seus mestres. Aqueles que o fizeram contaram de uma sociedade agrária ao longo das costas que cultivava muito mais do que aparentava ser possível consumir, com gigantescos carregamentos sendo enviados ao platô no centro da península. Os fazendeiros eram mantidos na linha por monges em robes vermelhos, homens e mulheres que demonstravam inimagináveis atos de poderio marcial com as mãos nuas! Estes monges mantinham a população em ordem, fazendo daqueles que os desafiassem um exemplo para os outros.

Os espiões também falaram sobre bizarras raças escravizadas criadas através de magia e ciência arcana, e dos poderosos magos do Sinal Escarlate que os criava e controlava.

Dispensável dizer que tais notícias assustaram os governantes de Flanaess, que se voltaram para seus próprios confiáveis conselheiros e agentes em conferencias para planejar estratégias para lidar com a ameaça crescente. Infelizmente, muitos destes conselheiros eram eles mesmos agentes da Irmandade, e aconselharam cautela e paciência na questão. Em tempo, eles ponderaram, a Irmandade iria revelar-se e poderiam então ser lidados como a escória que realmente são.

O tempo, é claro, provou ser conturbado conforme as Guerras de Greyhawk eclodiam no norte. Os agentes da Irmandade enviaram ajuda, sábios e armas para os estados da Liga de Ferro, disfarçados como socorro de nações amigas. Após proteger Portões de Ferro e Sunndi dos ataques da Província Sul, a Irmandade atacou o Senhorio das Ilhas, substituindo o soberano por seu primo corrupto, Frolmar Ingerskatti, que declarou poderes da Irmandade sobre suas terras, entregando-as à marinha do Sinal Escarlate.

Após, agentes da Irmandade apareceram na corte do Príncipe Jeon Monmurg, carregando uma simples mensagem aos Príncipes dos Mares: “Submetam-se à Irmandade Escarlate ou sejam destruídos”. Os príncipes, nobres e reis piratas que já tinham enfrentado desafios mais ameaçadores do que um bando de homens em robes, riram dos emissários. Na manhã seguinte, vinte e sete dos trinta Príncipes dos Mares haviam sido assassinados. A conquista de Monmurg garantiu à Irmandade o controle sobre as vias marítimas do sul. Em uma questão de meses, Idee e Onnwal caíram perante invasões e assassinatos. A Irmandade fez um movimento pelos Portões de Ferro, mas o engenhoso Cobb Darg já sabia da iminente traição de seus “conselheiros” e sobreviveu ao súbito assassinato”.


Outros escritos relatam que:

“Após os eventos das Guerras de Greyhawk, os objetivos da irmandade estão claros. Seguidores de uma filosofia estabelecida antes dos Cataclismas Gêmeos, eles esposam a causa da raça Suloise como legítimos governantes de Flanaess. Outras raças servirão como nada mais do que escravos sobre cujas costas será construído um império que rivalizará o dos antigos Suel”

“Aparentemente, a organização da Irmandade é dividida em três ramos, com monges no pináculo da ordem, seguidos pelos assassinos e ladrões. O líder dos ladrões é chamado “Primo mais velho” e aquele dos assassinos é conhecido como “Tio Adotivo”. Membros menores de cada ordem são, respectivamente, primos e sobrinhos.”
O último dos relatos diz:

“Neste momento, poucos ligaram a aparição destes sábios e monásticos conselheiros ao desaparecimento do Príncipe Thrommel de Furyondy ou a outros inúmeros eventos políticos por toda a Flanaess.”

Postagens mais visitadas