Viagem até Onnwal - Parte 9



O combate com os fantasmas vitimou praticamente toda a tripulação do “Espinha de Tubarão”. Apenas o Capt. Merrin Farhair e quatro marujos sobreviveram. A situação seria dramática, pois o navio estava à deriva no mar e sem uma tripulação que pudesse o colocar no rumo novamente. Aeris andou sobre as águas do mar para resgatar o marujo que teria “traído” o grupo, e que supostamente teria atraído o navio patrulha da irmandade. Laonor se encarregou de prendê-lo em uma sala nos deques inferiores do navio. Enquanto isso o restante do grupo tratava de “parar” o navio, cerrando suas velas da forma como conseguiam.






Duas grandes discussões ocorreram. A primeira delas relacionada sobre como seria possível obter pó de diamante suficiente para que Aeris conjurasse a magia restauração sobre os personagens de forma que ninguém ficasse permanentemente com níveis negativos (oriundos do toque espectral dos fantasmas). Por fim, uma soma enorme de tempo foi gasta na tentativa risível de reduzir uma pedra de diamante a pó. Algum sucesso foi conseguido, mas apenas o suficiente para “restaurar” os infiéis (porém merecedores) Logan e Merrin. O restante do grupo conseguiu superar os efeitos o toque espectral naturalmente (se já soubéssemos disso tanto tempo de jogo não teria sido inutilmente gasto em conseguir foco material suficiente para conjurar tal magia). A segunda discussão se deu quando Velion foi “entrevistar” o prisioneiro traidor que outrora fora resgatado dos mares. Nesta ocasião a discussão foi dura entre ambos e, muito irritado Velion acabou matando o prisioneiro. Foi então que outra longa discussão sobre moral e “o direito dos homens de tirar a vida de outros” se deu. Em minoria, Velion pouco pôde argumentar em sua defesa e acabou sendo crucificado (simbolicamente). Curioso notar que fazer adversários de reféns e torturá-los até fazê-los falar jamais foi objeto de qualquer discussão moral, enquanto que matá-los sim.
Mais tarde, devidamente “restaurados”, Logan e Merrin voltaram à ativa. Merrin demonstrou tremendo aborrecimento e tristeza com a morte de seus companheiros e, apesar disso, prometeu cumprir com sua promessa firmada com os personagens – jurando que após não desejaria ver a cara de nenhum deles. Explicou que, no entanto, seria impossível comandar o Espinha de Tubarão sem a ajuda direta do grupo, haja vista a morte de sua tripulação. Merrin passou então a explicar as funções e, com muito custo, orientar os personagens para que todos ajudassem no que fosse possível.
Com mais alguns dias de viagem, finalmente a sonhada Ilha Rochosa surge em meio a um nevoeiro em plena noite. Mais uma vez o grupo imergiu em um mar de discussões sem fim, que incluíram trocas de farpas entre personagens (que até onde se sabia eram amigos) e etc. Tudo para determinar como, pretensiosamente, seria possível entrar na Ilha e sair de lá “na boa”. Muito blá-blá-blá, lesco-lesco e tro-ló-ló depois o grupo se dirigiu até a ilha em botes movidos por remos. Cerca de 40 metros antes do despenhadeiro que magicamente pretendiam escalar (ainda mais se levarmos em conta os personagens incrivelmente armadurados) o grupo esbarrou em uma espécie de “coral mágico” que cercava toda a ilha rochosa. Não obstante Aeris já o tivesse visto antes, ninguém se precaveu para o caso de não ser possível transpor aquele obstáculo (certamente ninguém prestou a atenção). Pior que o coral atacou um dos botes, que por muita sorte não virou com metade do grupo dentro (inclusive o homem âncora, vulgo Uther). Então, Laonor, o aero-super-tanque-invisível (da mulher maravilha???) voou até Solfiere para resgatá-lo das águas mornas do mar Azure. Artin então se atirou com um ataque fulminante sobre a pobre criatura marinha mas, sem efeito, não conseguiu vencê-lo. Daí foi apenas mais um trabalho para o aero-super-tanque-invisível tirar o pequenino (fanático seguidor da ortodoxia “aeris-peloriana”) de dentro do mar. Eis que então algo inesperado ocorre (muita ironia aqui por favor): MAIS UMA DISCUSSÃO LONGA E CHEIA DE FARPAS E ALGUMA FALTA DE RESPEITO MÚTUO toma conta do grupo. Por fim, Laonor (leia-se: aero-super-tanque-invisível) voa até determinado local na ilha para nocautear dois guardas e depois atirá-los aos corais (que comeram os dois). Aparentemente aquelas duas almas eram menos dignas de piedade do que a que Velion havia matado (lembram-se do refém?). Pois então, desta vez ninguém questionou a morte dos inimigos. Aeris estava aérea (olha o trocadilho...) e Laonor (que até soco na cara do Velian havia dado) já tinha esgotado sua cota de crise de consciência. Neste ponto Aeris resolveu novamente imitar Jesus Cristo e andou sobre as águas para ultrapassar a barreira de corais (em outros tempos, andar sobre as águas seria considerado um milagre e viria ao menos acompanhado de uma bela lição de moral que ensinaria a humanidade sobre fé em Deus e em si mesmo) e bastou para Solfiere transformar Uther em outro aero-super-tanque e logo todo mundo estaria dentro da ilha. Aí então foi só eliminar (sem piedade) mais duas almas e mais quatro logo adiante, onde um conjunto de quatro edificações estranhas estava incrustado nas pedras da ilha. Logicamente, houve tempo para que uma dessas almas alertasse quem quer que pudesse ouvir seus gritos.
Então o relógio já marcava meia-noite, neguinho na mesa já estava querendo ir embora e minha paciência havia se esgotado. O que acontecerá na próxima sessão? TANDAMMMMM!!!
Nota (débil) metal:
1° Resgataram o “traidor” do mar mas se esqueceram dos outros homens bons que também haviam caído dentro d’água.
2° Armaduras Completas de Batalha não combinam com:
-água
-navios
-anéis de invisibilidade
-uma boa noite de sono
-missões de infiltração
-qualquer outra situação que não envolva um combate num campo de batalha, incluindo interações sociais dentro de cidades e etc.
3° Personagens discordarem não deveria significar troca de farpinhas (como meninas de 12 anos) nem sorrisos, risinhos ou aplausos irônicos. Eu ainda acho que chamei amigos para jogar e não inimigos.
4° Eu fui grosso com o Bogus sem necessidade no final da sessão (quando o apressei para rolar logo os dados)
5° O que, no mundo, faz os personagens agirem da forma como às vezes agem senão apenas aqueles números na ficha deles? Alguma justificativa realmente plausível para formas tão esquisitas de se comportar? Tipo, sei lá, dormir de armadura, se preocupar em dormir quando tudo o que o capitão do navio precisa é de gente trabalhando pra manter a joça andando no rumo certo, usar 500 itens mágicos e conhecer seus efeitos sem ter uma puta de uma graduação em Conhecimento Arcano, achar que a opinião do mago do grupo (e supostamente personagem que deveria ser visto como O MAIS inteligente) não vale nada, sair voando por aí como se voar fosse a maior proficiência do personagem e a coisa mais natural, usar armas e armaduras que brilham, carregar itens que descaracterizam o personagem só porque concedem bônus, e etc. Fazer coisas só porque a regra permite e sob o pretexto de que o personagem pode não me parece uma justificativa plausível, já adianto.
6° Utilizando o conceito acima, de que se a regra permite e o personagem pode fisicamente, então ele FAZ o que quiser, com uma simples marpeada pode-se presumir que há poucos personagens de 15° nível no mundo e, por isso, vai ser simples e fácil destruir a Irmandade. Certo? Sim, certo. Há poucos personagens no mundo Greyhawk que podem fazer frente a caras de 15° nível. A questão é: Quantos fantasmas de ND 7 serão precisos pra estes personagens aprenderem que eles não são seres imortais e que é bom tomar cuidado porque o mestre está irritado?

Comentários

  1. bem, sobre esta última sessão, eu, infelizmente, não posso comentar, eis que, como o Pietro deve ter falado, já tinha marcado um compromisso pra este sábado, não dava pra desmarcar, ainda mais que já havia faltado a um anterior com as mesmas pessoas por causa de um jogo de meio de semana nosso, então, não tinha como mesmo...

    sobre as discussões, em sessões anteriores eu tb já achei que o pessoal tava se excedendo um pouco em alguns momentos, estendendo-as mais pelo prazer da discussão, de discordar do outro, do que com a real intenção de atingir um resultado aceitável pra todas as partes, o que tava tornando o jogo um pouco maçante, pois perdíamos muito tempo com questões que nem eram tão complicadas e importantes assim... como novato com o grupo tanto dentro do jogo quanto fora, eu fiquei um pouco receoso de falar sobre isso, mas já que o mestre abriu o precedente, resolvi colocar a minha opinião tb... as discussões são bem vindas, enriquecem o jogo, mas elas não devem vir a cada nova decisão que o grupo pretenda tomar e nem se estendfer indefinidamente, é necessário se almejar o consenso, dar um fim a elas... por m,ais que um ou outro pc tenha motivo pra ser inflexível sobre algum ponto, é necessário que os demais tentem buscar um acordo, senão gastamos sessões inteiras com discussões infrutíferas que não nos levam a lugar nenhum...

    espero que esses problemas que parecem ter surgido nessa última sessão possam servir pra melhorar o andamento do jogo e a diversão de todos...

    abs...

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