OS SETE MANDAMENTOS!

Acredito que o Robinho entendeu perfeitamente do que se trata o problema. São infindáveis discussões cujo único propósito parece ser o de ... DISCUTIR!!! O que ganhamos com isso até agora? Nada. Pior que além de não ganhar nada também perdemos, pois muita gente – eu inclusive – não está se divertindo mais.

Eu to MUITO PUTO com essa situação, porque quando eu tento encontrar os motivos que ensejam tanta briga e discussão eu percebo que é tudo picuinha idiota! O negócio é o seguinte, eu sempre fui um mestre chato, implicante e rigoroso com coisas como a riqueza, itens mágicos, interpretação e nível de poder dos personagens e sempre quis controlar isso ao máximo. Também sempre detestei brigas e disputas por mais XP. Isso tudo porque pra mim a grande diversão do RPG sempre foi poder contar uma história interessante com a qual os jogadores pudessem se divertir com seus personagens. No entanto, de uns tempos pra cá eu amaciei muito com a minha rigorosidade e fui percebendo que a diversão de muita gente não está em interpretar seu personagem e em poder participar de aventuras imaginárias, mas sim em se gabar de ter um personagem poderoso, em ver números gigantes na ficha, em colecionar itens mágicos, em aparecer mais do que os outros e etc. Bom, embora nada disso me agrade, eu entendi que é direito de todo mundo se divertir como quiser e por isso, EXCLUSIVAMENTE por isso, é que eu fui sendo cada vez mais permissivo. O problema acontece quando a diversão de uns se transforma no aborrecimento de outros. E eu to aborrecido, e MUITO!!!

A última sessão foi o cúmulo pra mim! Assim não dá!!! Eu estava engolindo todas as fanfarronices e toda a falta de bom senso na interpretação dos personagens. Até grosserias e troca de farpas eu estava engolindo. A última sessão atingiu o meu limite de paciência!!! Isso sem mencionar que o Pietro nem estava presente, porque se estivesse tenho ABSOLUTA certeza que as grosserias e brigas teriam sido ainda maiores. A coisa está tomando proporções gigantescas, a ponto de neguinho jogar jogo da velha e desejar estar em casa dormindo ao invés de estar ali jogando RPG com os “amigos”. É nesse momento que o meu calo dói. A minha diversão como MESTRE é contar uma história legal, e se a minha história vira motivo de chacota, se tripudiam dela ou se, simplesmente, eu não consigo desenvolvê-la então a minha diversão vira um sério aborrecimento!!! E eu não vou ficar me aborrecendo e vendo cara feia de graça só pra fazer a felicidade de um ou outro!

Então a parada é a seguinte: O mestre chato, implicante e rigoroso acabou de voltar! Vistam as suas carapuças e comecem a pensar nos motivos que levam os senhores a jogar RPG (Jogo de INTERPRETAÇÃO de papéis), porque eu não vou mais me submeter a sessões masoquistas como a última!

1ª: Eu exijo respeito entre os jogadores, exijo coleguismo e exijo espírito de cooperação. Isso não tem nada a ver com os personagens isso tem a ver com os JOGADORES! Quem tiver inimigos na mesa, então que se retire obsequiosamente! Eu quero apenas AMIGOS na mesa!!!

2ª : Ninguém é babá de ninguém e ao menos que se saiba todo mundo na mesa tem todos os dedos nas mãos. Ou seja, todo mundo pode perfeitamente pegar o telefone e ligar pros colegas pra saber se vai ter jogo. Eu, como sempre, continuarei encarregado de avisar a todos, mas não vou ficar correndo atrás de ninguém!

3ª : Acabou a fanfarronice despropositada! Eu entendo que personagens de nível alto sejam naturalmente um pouco fanfarrões, mas não vou mais tolerar os exageros que tenho visto. E por exageros eu me refiro a tudo aquilo que não diga respeito ao personagem intrinsecamente, ou seja, agora conjuradores apenas conjuram magias, guerreiros apenas guerreiam e ladinos apenas “ladinam”. Nada de personagens ostentando itens só porque eles concedem bônus, ou há um propósito e uma justificativa DENTRO DE JOGO, ou não há. E tem mais: COERÊNCIA! As fanfarronices precisam ser coerentes com o estilo do personagem! Guerreiros armadurados do dedão do pé até o último fio de cabelo não são ladinos e não vão mais fazer ladinagem!

4ª : Definam quem são os personagens e o que eles pensam uns dos outros!!! To cansado de ver neguinho adorando usar as magias do Solfiere mas desrespeitando tudo o que ele diz quando interessa. O mesmo vale para a Aeris. Falo especialmente nestes dois casos, mas isso vale pra todo mundo. Não querem respeitar a sabedoria da Aeris ou a inteligência do Solfiere? Ótimo, mas também não encham o saco para ela “restaurar” níveis negativos ou pra ele “teletransportar” ninguém. Ou melhor, ela que se negue a restaurar e ele que se negue a teletransportar e o resto que não reclame!!! O mesmo vale para as curas, vôos, velocidades, metamorfoses e etc.!!!! E que fique claro: não é pra definir o que se pensa SÓ sobre a Aeris e sobre o Solfiere não! É pra definir o que se pensa sobre todos os personagens. Afinal, há mestres da guerra e cavaleiros do cervo no grupo, além de outros personagens que embora não ostentem títulos, são igualmente poderosos e importantes! Agora a questão é de respeito entre PERSONAGENS, não entre jogadores.

5ª : O meu cenário é de baixa magia e a minha campanha é de cooperação! Quem estiver interessado em APENAS fanfarronice mágica e em competição pode ir procurar outro mestre. Lamentarei a sua saída mas ficarei feliz por você e por mim! Os amigos têm sempre lugar cativo na mesa, ou seja, se quiser voltar, será sempre bem vindo, contanto que respeite as regras!!!

6ª : Eu sou a última palavra no que diz respeito ao que um personagem pode ou não pode fazer, quanto ao que ele sabe ou não sabe, quanto ao que é meta-jogo ou não é, e quanto ao que é fanfarrão ou não é fanfarrão. Dúvidas sobre as regras? CONSULTE O MESTRE! Agora eu faço questão de ser o mestre tirano (mas prometo governar com parcimônia). Ou vocês concordam que o juiz sou eu, ou não apareçam pra jogar. A mesa agora vai ter ORDEM e RESPEITO e já que vocês não são autônomos o suficiente para conseguirem isso por si mesmos, então eu vou impor estas regras – sem as quais quem não joga SOU EU! Já convidei jogador a se retirar da mesa no passado, convido de novo a quem quer que seja e se o dito cujo for o dono da casa quem se retira sou eu. Não tenho mais remorso de usar meus poderes como mestre. A REGRA DE OURO está aditivada e valendo!!! Mais: Se o bagunceiro for eu pode me chamar à atenção mesmo! Se o bagunceiro for outro e eu não perceber a bagunça, me chame à atenção que eu o repreenderei ou repreenda você mesmo!

7ª : Tudo o que está escrito aqui é regra da casa, regra da mesa, regra do mestre e regra dos jogadores! Qualquer um pode invocá-las a qualquer tempo. Elas NÃO serão motivo de mais discussões, sua aceitação poderá ser tácita ou expressa e servirão de testemunhas todos os presentes na primeira sessão subseqüente a publicação desta! O desconhecimento destas regras é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável sujeitará o infrator à ira do mestre. Aplicar-se-ão os princípios gerais do Direito e os Costumes quando estas regras forem omissas. A tutela jurisdicional para dirimir conflitos é privativa do mestre.

PUBLIQUE-SE. REGISTRE-SE. CUMPRA-SE

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