A Travessia da Floresta Escura - 9º Ato

I heard that something or other was growing in a confined space / swelling and surging, pushing up its covering; / on that boneless thing a bride took up a grip,/ proud, in her hands, a lord’s daughter, / clothed with a covering that bulging thing.
~ Exeter Riddle #43. The answer is bread dough. [fonte]

Após a subida de um pequeno lance de escadas, o corredor ao norte se abre à esquerda em recamara pequena na qual os aventureiros de pronto notam a presença de um corpo parcialmente carbonizado há muito tempo abandonado ali. Difícil dizer por quanto tempo, mas pelo estado geral, considerando a baixa oxigenação daquela masmorra e a presença de determinados tipos de vermes, Wurren pressupõe que tenha se passado alguns poucos meses desde o passamento do infeliz – que é claramente um aventureiro, dado que parte de seus equipamentos (todos chamuscados) ainda está ali e denunciam a vida de “explorador” do incauto cadáver. Naquela recamara há dois brazeiros apagados e, na parede leste, uma carranca assustadora entalhada na própria pedra em alto relevo, com sua rudimentar pintura descascada e apagada pelo tempo.

Eldrin se aproxima enquanto o druida fazia a análise do cadáver. Incauto, repentinamente se ouviu um "clic" característico. Gato Preto, que chegava no local, ouviu e gritou:

- Cuidado! É uma armadilha!

Por muito pouco todos ali não morreram, pois da boca da carranca saiu uma enorme labareda de fogo que se espalhou rapidamente pela sala chamuscando os aventureiros que, graças ao aviso felino, conseguiram se esquivar em tempo de evitar maiores danos.

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A exploração continua ainda mais ao norte, pois o corredor se prolonga um pouco mais até terminar numa porta de madeira, cujo fecho foi claramente destruído por arrombamento. Após, uma sala circular de aproximadamente 15m² dá acesso, por uma abertura à leste, a uma outra passagem que só se pode alcançar saltando-se sobre um fosso no fundo do qual dezenas de estacas afiadas vitimaram um outro explorador. Dele, no entanto, restaram apenas ossos e equipamentos velhos e imprestáveis, denotando que sua presença ali data de dois ou três anos, senão mais, como Wurren pode avaliar.

A passagem leste conduz os aventureiros para uma câmara mais larga e profunda, onde primeiramente se vê uma fonte de água retangular, como uma piscina, com um beiral de no máximo meio metro de altura, ornado com pedras de granito polido. Dentro dela, uma água lodosa e escura alimenta uma espessa camada de musgo e fungos que cresceram ali e que contribuem para que o ar fique quase irrespirável mesmo para um anão como Bruenor – acostumado ao ambiente claustrofóbico sob a rocha.

O mais intrigante (e assustador), porém, é que ainda mais adiante, onde a câmara se alarga mais, há uma tumba sinistra, feita de quartzo vermelho e adornada com ouro e prata, cuja tampa possui a escultura de um homem deitado em sono profundo e sereno abraçado a seu cajado, vestindo o que parecem ser túnicas cerimoniais ornadas com runas e símbolos druídicos. Há um silêncio sepulcral aqui, somente rompido por sussurros que parecem ter sido trazidos pelo que Bartolomeu crer se tratar de uma leve brisa soprada do corredor ao sul.

- Não pode ter vindo de nenhum outro lugar, senão dali – aponta Bruenor – Todos os outros caminhos estão fechados – o anão fazia referência aos escombros que obstaculizam totalmente antigas passagens ao norte e ao leste da cripta.

Aquele corredor não se prolonga por muitos metros, senão no máximo oito, até terminar em uma porta de pedra bem grande, quase tão larga como a própria passagem e alta como o pé direito. Ainda assim, claramente uma porta, e não simplesmente uma parede, pois o arco ogival de seu batente, igualmente feito de pedra, é ornado com lajotas onde inscrições druídicas curiosamente se misturam à linguagem arcana dos elfos cinzentos, demandando um esforço interpretativo dos aventureiros entende-se o seguinte:


“Este jardim é um lugar solitário
onde muitos vieram e ainda permanecem
as plantas crescem fortes em terreno fértil
regadas por legados de dor
e se eu lavrasse, meu arado iria se partir
em lascas de ferro partido
agora enterradas onde eles tombaram como trigo.
O que eu sou? Fale! Ou enfrenta a perdição!”

(riddle atribuída a Kevin Kulp da aventura de 3E Of Sound Mind, disponível em http://boards.straightdope.com/sdmb/showthread.php?t=522062. Acesso em 26/09/2017)

- Claramente é uma charada! - disse Gato Preto.

- Sim, e estou em dúvida entre um cemitério ou um campo de batalha. Qual deve ser a resposta correta? - perguntou-se Bartolomeu.

- Apostaria na segunda opção - falou Wurren.

- Humpf! Eu ficaria mais preocupado com o que se esconde por detrás de tão bem selada porta! - comentou Bruenor, com mau humor.

- Campo de batalha! - Bartolomeu impôs a voz, como um comando dirigido à porta, que então exibe um brilho azulado. Magicamente uma tranca surge bem no meio dela. A chave recolhida na câmara anterior por Wurren desliza suavemente pelo buraco da fechadura, mas nenhum mecanismo parece ser ativado: a chave simplesmente emite o mesmo brilho azulado da porta e gira sozinha abrindo a porta que revela um túnel de pedra natural, escuro, estreito, cheio de saliências, fendas e rugosidades que dificultam muito a caminhada. 

- Para onde será que este túnel leva? Isso cada vez se parece menos com um templo druidico - Wurren falou em voz baixa, para não agourar a expedição.

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